Falou também o Senhor a Arão, dizendo: Vinho ou bebida forte tu e teus filhos não bebereis quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações, para fazerdes diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo e para ensinardes aos filhos de Israel todos os estatutos que o Senhor lhes tem falado por intermédio de Moisés. Lv. 10.8-11.
Infelizmente, em nosso imaginário popular, tendenciamos e enxergar o Deus do chamado Antigo Testamento como um ser bravo, duro e sem misericórdia, ao passo que quando ouvimos sobre o Novo Testamento, passamos a ver esse Deus como misericordioso, bondoso e até mesmo compassivo "demais". Mas isso é uma mera ilusão, pois o Senhor não muda, como está escrito em Malaquias 3.6; aliás, o trecho citado deixa claro que não somos consumidos, justamente porque Ele não muda. E aqui, no últimos livro do Antigo Testamento vemos mais uma demonstração do caráter de Deus: sua misericórdia em não nos dar o que de fato merecíamos, ou seja, sermos consumidos pelos nossos pecados.
Vemos nos capítulos que acabamos de ler que os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, foram consumidos pelo fogo de Deus e morreram subitamente em uma punição exemplar por banalizarem o ritual da adoração. Levando em consideração o que já foi dito sobre a imutabilidade de Deus, o que seria de nós se Deus resolvesse analisar como temos oferecido nossa adoração semanal a Ele? Como temos prestado nosso culto a Deus? Com qual disposição, preparo, dedicação e atenção? Lembremo-nos de Ananias e Safira; lembremo-nos ainda que a história deles foi contada no contexto do Novo Testamento já após a morte e ressurreição de Jesus.
Toda a lei que Deus deu ao seu povo tem o propósito de deixar claro que ele não é mais um deus, mas o único Deus e por isso a dedicação a ele deve ser exclusiva. No detalhamento sobre o que os israelitas poderiam ou não comer, Deus diferenciou as coisas limpas das imundas. Assim como Deus só aceitaria que eles se alimentassem dos animais apropriados, suas vidas deveriam ser apropriadas a Deus. As criaturas puras simbolizavam Israel, enquanto os animais impuros simbolizavam os gentios. Assim como Deus só se relacionava com seu povo separado dos demais, seu povo só deveria se alimentar de animais separados dos que eram inadequados. Com a revelação do Cristo em tornar puro o povo impuro e de ambos os povos (judeus e gentios) fazer somente um, a simbologia da alimentação não se fez mais necessária, mas a mensagem de que devemos ter uma vida santa e separada do pecado deve permanecer, pois assim como Deus é separado de todos os deuses criados, devemos ser separados de toda a prática comum de pecado.
Oração:
Senhor, Deus santo e zeloso, somos agradecidos ao Senhor por não nos consumir em sua ira, uma vez que já o fez consumindo o seu filho em punição de morte na cruz do calvário. Aceitamos o sacrifício expiatório de Cristo e queremos responder em obediência e gratidão por todos os nossos dias. Ajude-nos a viver de forma a te honrar a cada dia como povo santo, povo separado, amém.